O Benfica empatou.

Em 2015, era lançado um pequeno filme, "The End of the Tour", do realizador James Ponsoldt, sobre uma entrevista que o jornalista David Lipsky fez ao aclamado escritor David Foster Wallace, autor do colossal "Infinite Jest".

É um daqueles filmes que faz do diálogo a sua maior força. De facto, numa dessas conversas, surge a opinião de que a tecnologia está a evoluir de forma prejudicial, oferecendo demasiados estímulos aos consumidores. E sim, fala-se de pornografia (acabei de conseguir que leiam até ao final).

As opções já vão muito além da televisão. Contudo, ainda aí, existem centenas de canais base inúteis, outros tantos pré-pagos, igualmente supérfluos. O telemóvel é um pequeno universo de distrações e o tablet veio amplificar esse universo em meia dúzia de polegadas.

Os videojogos, outra tecnologia pouco recente, sempre ofereceram imensas possibilidades ao utilizador, principalmente em jogos de carros. Podem conduzir o veículo virtual com um volante de plástico, uns pedais altamente, uma manete de mudanças super cool, uns espelhos retrovisores invejáveis por carros verdadeiros e um porta-luvas ainda melhor.

No entanto, este era o avanço esperado há muitos anos. As preocupações começam em invenções como a realidade virtual, a tecnologia que assinala o início da era do isolamento: uma simulação de realidade. Quase me ri à gargalhada ao escrever isto. É realmente absurdo.

Qual é a necessidade? A realidade física continua a funcionar na perfeição, não tem "bugs", tem imensos utilizadores online, várias missões, objetivos, desafios e não ocupa memória, por isso é infinita. Para além disso, não está dependente de uns ocúlos que, por sua vez, estão dependentes de telemóveis ou consolas. O único inconveniente comum é a necessidade de ser carregada, quando acaba a bateria.

O próximo passo é o Sims (para quem não está familiarizado, é um jogo em que se vive uma vida normal, com todas as suas atribulações), com a opção de ser jogado com óculos de realidade virtual. Vai acontecer, garanto-vos. E, dentro do jogo, a personagem vai poder usar esses mesmos óculos.

Finalmente, numa altura em que, certamente, já não estarei presente, a profecia do filme "The Matrix" vai concretizar-se e as pessoas vão ser ligadas a máquinas de simulação e viver a vida plena.

Em boa verdade, não sou totalmente contra os progressos tecnológicos; a prova disso é que estou, neste momento, a interagir com um teclado, a redigir esta amostra de opinião. No entanto, existem melhores fins para esses avanços. Quais? Talvez num futuro bitaite.

Peço desculpa por isto ter sido mais sério desta vez. Tal como o amigo Luís, estou a atravessar aquela altura do semestre em que tudo parece impossível de alcançar.

Um abraço,
(e escrito por)


Cesário Vicente

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