Não usem capas.

Peter, Steve, Matt, Bruce (sim, os dois), Tony, Logan, Clark, esta é para vocês.

Música para melhorar a leitura.

Banda desenhada; os livrinhos preferidos dos miúdos que sofrem de bullying na escola. Aqueles livros infantis com meia dúzia de páginas, em que cinco delas contêm uns desenhos razoavelmente bem feitos. Não sei de que lado vocês se encontram: se eram daqueles que rasgavam os livros em pedacinhos ou se se agarravam a eles com todas as vossas forças.

Dramatismos à parte, já era hora de se escrever uma ode aos tipos (até porque só têm saído cinco ou seis filmes por ano). Super-heróis do universo, esta é para vocês.

Não é um acaso que a Marvel e a DC Comics tenham ganho maior relevância em alturas da 2.ª Guerra Mundial. As pessoas precisavam de um refúgio, de ver o bem a vencer o mal, a esperança de um mundo melhor. As aventuras do Capitão América eram verdadeiramente inspiradoras. O representante dos ideais americanos lutava contra os nazis e liderava exércitos em confrontos da Grande Guerra.
É natural, portanto, que as vendas e a popularidade dos comics tenha diminuído no pós-guerra.

Contudo, as personagens já tinham conquistado o coração de muitos leitores e um amor assim nunca se esquece. As pessoas queriam mais. Começaram a aparecer outros heróis, com outras características, super-poderes e histórias que seriam memoráveis. No entanto, estes eram (e são) apenas pretextos para algo maior: estes livros ofereciam conforto, segurança, aquela palmadinha nas costas que se traduz para "vai ficar tudo bem".

O Bruce Wayne é a criança a chorar que acabou de perder os pais e decide que quer lutar pela sua cidade, por isso torna-se o Batman, um vigilante noturno que protege os mais fracos; o Peter Parker é o miúdo nerd que trava as suas pequenas batalhas como estudante e só quer ter boas notas, mas também combate o crime; o Matt Murdock é o advogado cego que ultrapassa as suas limitações e luta pelos direitos daqueles que não conseguem fazê-lo, dentro e fora do tribunal; o Bruce Banner é o cientista genial que luta contra si próprio e tenta manter a sua fúria dentro de si; o Logan é o homem quase imortal que tem de ver partir aqueles que mais ama.

Certamente, muitos de vós conseguem rever-se em alguns destes traços. Isso faz todo o sentido. Na verdade, existe um herói dentro de todos nós e, em certos momentos das nossas vidas, vamos sentir-nos como o Bruce, o Peter, o Matt, o outro Bruce e até como o Tony Stark, o génio, bilionário, playboy e filantropista. Assim sendo, cabe a cada um de nós conseguir ser o Batman, o Homem-Aranha, o Demolidor, o Hulk, o Homem de Ferro, o Wolverine e, eventualmente, o Super-Homem, quando a vida o exigir. Superem-se, ajudem o máximo número de pessoas que conseguirem e sejam felizes.

Na nossa vida, vamos perder pessoas queridas, vamos sentir-nos sozinhos, desorientados. Nesses momentos, surge a questão: por que caímos? E a resposta é: para aprendermos a levantarmo-nos outra vez. Tal como o Bruce, há que aprender a viver e lidar com essa dor e usá-la para o bem.
Por vezes, vamos sentir um desejo incontrolável de partir tudo e todos. Então, por favor, sejam como o Hulk e libertem essa raiva. Faz bem.
E quem nunca se sentiu como o Peter Parker no "Spider-Man 2"? Na verdade, foi isto que me levou a escrever este bitaite. Ele perde todos os seus super-poderes e toda a sua confiança; o facílimo torna-se impossível, embora todas as qualidades continuem presentes. E, eventualmente, voltam a revelar-se.

Uma declaração de amor aos super-heróis do universo tornou-se uma mensagem de auto-motivação. O Natal está quase a chegar, aguentem o resto do semestre!

P.S.: Esqueçam a parte do Super-Homem, aquele tipo é demasiado forte. Tentem ser qualquer um dos outros. Sempre.



Um abraço,
(e escrito por)


Cesário Vicente

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