Em 2004, era lançado um pequeno filme, "Shaun of the Dead", do realizador Edgar Wright, no qual um grupo de amigos tenta sobreviver a um apocalipse zombie. No entanto, só decorridos alguns minutos do filme, os protagonistas se apercebem do que realmente se passa, apesar de todas as pistas lá estarem desde o início, bem claras.
Isto leva-me a questionar: no mundo real, atualmente, quanto tempo nos demoraríamos a aperceber que estava a decorrer um desastre zombie?
Consideremos o cidadão comum: trabalho das 09:00h às 17:00h, pausa para almoço e viagens entre casa e o trabalho de manhã e ao fim do dia.
Ao acordar, mesmo que o despertador seja o rádio, as notícias entram a 50 e saem a Mach 100. Assim sendo, o senhor cidadão toma o seu duche e o seu pequeno-almoço e continua sem saber coisa alguma.
Na viagem para o trabalho, existem duas alternativas: transporte próprio ou público. Em transporte próprio, é evidente que mete uma música para dar motivação para o trabalho; em transporte público, já se arriscaria a tomar conhecimento do apocalipse. Ainda assim, creio que, quando assistisse àqueles ataques característicos dos zombies (que acabam sempre por acontecer em autocarros ou metros, seja qual for o filme), iria pensar que eram toxicodependentes ou, pior, aqueles maluquinhos dos cursos de Engenharia.
Chega ao trabalho e não sabe o que se passa nas 4 horas seguintes. Surge a pausa para almoço. Hora de ver o que a malta anda a fazer nos Facebooks e Instagrams. Até já podem existir uns vídeos amadores dos ataques, mas é tudo uma brincadeira nas redes sociais. O senhor cidadão dá like e segue para a publicação seguinte. Eventualmente, pode vir parar ao Bitaites, porque alguém fez publicidade, mas encontra dois tipos a dizer disparates e decide que chegou a hora de voltar a bulir.
Entretanto, são cinco da tarde e o escritório até está mais vazio do que o normal, mas é sexta-feira, por isso não deve haver crise. E quem diz crise, diz apocalipse.
No regresso a casa, encontram-se mais uns quantos agarrados no metro, mas aquela amiga jeitosa publicou uma nova foto no Instagram e isso é que interessa.
Entretanto, o senhor cidadão chega a casa e começa a ver a bola (assumo que haja jogos à sexta, não costumo ver futebol), assiste a alguns confrontos um pouco mais violentos do que o habitual, pessoas comem-se vivas, mas devem ser os adeptos do FC Porto e não estranha. Entretanto, era hora de dormir.
Durante a noite, ouve uns barulhos esquisitos, vai à janela e repara que o mundo como o conhece já não existe, está tudo em ruínas. A única hipótese que ocorre é comprar um bilhete de comboio para a Guarda, mas sabe que não se vai safar, por causa dos atrasos de uma hora para cima da CP.
Antes que seja acusado de sexismo, o texto está inteiramente escrito no masculino propositadamente. É óbvio que as mulheres nunca passariam por tal situação, devido ao sexto sentido que possuem; na verdade, seriam a salvação de muitos senhores cidadãos.
E este senhor cidadão de que se fala pode nem sequer existir: das 3 pessoas que vão ler isto, talvez nenhuma se identifique. Honestamente, tudo isto foi uma tentativa infortuna de criticar o vício nas redes sociais e nos ecrãs de cinco polegadas. Não vale a pena. Qual é o verdadeiro apocalipse?Um abraço,
(e escrito por)
Cesário Vicente
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